sábado, abril 4

Sentimento de culpa

Quando acabei de estudar e comecei a trabalhar lembro-me de alguém me perguntar: «Qual é a diferença entre estudar e trabalhar?». A minha resposta foi: «O sentimento de culpa desaparece.».
Na vida de "estudante" temos imenso tempo livre. Na vida de "adulto" o tempo disponível resume-se em noites e fim-de-semanas. Mas esse curtos momentos são desfrutados na integra. Podemos estar preocupados com algo que ficou por resolver no trabalho. Pensamos: «Na segunda-feira tenho de chegar cedo para terminar isto». Até podemos ir trabalhar ao fim-de-semana para "arrumar algumas questões". Mas, normalmente, no fim-de-semana não temos a preocupação de "como estamos a gastar esse tempo".
Quando somos estudantes se estamos sentados num café, pensamos:
«Tenho de ir estudar AC porque tenho teste na terça».
Se andamos a passear, pensamos:
«Devia estudar para AED porque na aula prática de terça vou andar aos papéis.»
etc.
Se nos convidam para ir jantar, planeamos: «Não posso me deitar tarde, porque amanhã de manhã tenho de estudar.»
Se nos perguntam se queremos fazer algo este fds, respondemos: «Este fds vou estar enfiado em casa a estudar. Tenho mesmo de estudar!»
O problema é que nunca acabamos por estudar. São 16:16 de sábado. Tenho teste de AC na terça-feira de manhã. Na segunda-feira vou trabalhar. Esqueci-me de comprar o livro na livraria da escola. Nem sei se vou conseguir arranjá-lo na Fnac. Acordei cedo e fui com a FL ao CCB ver a BESPhoto*. Almoçámos e fomos beber café ao meu "jardim secreto". Obviamente que o café foi curto porque «tenho de ir comprar o livro e estudar».
Ainda não estudei nada... acho que nem vou conseguir estudar... por certo irei arrumar a casa, pendurar o candeeiro no quarto (sim, finalmente.**). Tenho de ir plantar as flores no quintal antes que sequem. etc
Tenho uma vontade imensa de me ir juntar à T. e ver de seguida os 3 filmes do "Senhor dos Anéis". Talvez dê para ir no fds de "O Padrinho I, II e III".
O que irrita nisto tudo é que esta sensação não deveria de existir, pois eu sou um trabalhador estudante em tempo parcial. Apenas ando a estudar para aprender. Se passo ou chumbo é-me irrelevante. Tenho de estudar para uma disciplina que sei que vou chumbar porque não estou a fazer o projecto***. No fundo, tenho de estudar para um teste que, independentemente, do resultado, sei que irei chumbar à disciplina. Estranho? Pouco inteligente? Talvez caricato! Mas é o modo que "descobrir" de me obrigar a aprender!

Acho que vou antes estudar AED. Ando a gostar bastante e tenho "responsabilidades"! (um projecto a realizar em grupo). Entregamos ontem a 1ª parte do projecto. Não correu nada bem. Faltam agora as outras 2 partes.

* Muito interessantes os trabalhos de Edgar Martins «The accidental Theorist». (caso acedam ao link o caminho é fotografia>fotografia>The accidental Theorist. As minhas preferidas são: 19, 11, 2.
** A lâmpada da casa-de-banho e a campainha arranjei durante esta semana.
*** O projecto conta 9,5 da nota e é obrigatório entregar.

segunda-feira, março 30

Os Trilhos do Pastor

Para variar, este fds fui participar numa prova.
Nunca tinha experimentado participar numa prova de "trilhos".
Já sabia que iria ser duro no meio do mato a subir e a descer.


A última aventura que tinha feito na Serra de Aire e Candeeiros tinha sido bastante interessante. Mas o carácter "amador" com que encarámos essa aventura (desconheciamos qualquer trilho) fez com que a experiência se resumisse a alguns kms?? pois a nossa capacidade de desbravar caminho terminou quando começou a chover.

Desta vez, foram mesmo 28 Kms. Muitos quilómetros... tantos que a 3 kms do fim virei-me para um dos companheiros de jornada e disse: "Estou a chegar ao limite das minhas capacidades!"

Quando se participa numa prova com estas características o "medo" de tropeçar e cair (tropecei várias vezes e cai apenas uma) faz-nos baixar a cabeça e por vezes abstrairmo-nos da imensidão que nos rodeia...

O relato mais pormenorizado sobre a prova deixo isso para os meus companheiros de jornada (NK e o AB).

PS: Fotos do NK

quarta-feira, março 25

Acordar cedo!

«Acordar cedo e deitar cedo dá saúde e faz crescer».
Durante toda a nossa infância somos "bombardeados" com esta frase.
E como em tudo o que é em excesso, a repetição desta frase (até à exaustão) tem um efeito "perverso". Crescemos com o sentimento que: «quanto mais cedo acordar melhor».
Quando passamos à idade adulta e começamos a trabalhar, o nosso corpo "habitua-se" a acordar cedo. Quando chega determinada hora já não conseguimos dormir ou simplesmente estar na cama*.
Por isso ao fim-de-semana acordamos à mesma hora (se não for mais cedo ainda), mesmo que seja apenas, para ir comprar pão ou o jornal.**

Mas o que significa acordar "cedo"? 8:00? 9:00? 11:00, 5.00? Talvez não exista uma hora certa para a palavra "cedo". Possivelmente, "cedo" apenas significa: «Programar o despertador para acordarmos antes da hora em que o nosso corpo gostaria de acordar». No fundo, disciplinamos, de modo masooquista e reiterado, o nosso corpo. E pior que isso, ainda pensamos «que estamos a fazer bem!»

A abordagem deste tema está relacionado com o facto de os meus amigos da corrida serem quase todos madrugadores. Vão correr para o Guincho às 7.00. Às 6.30 para o estádio nacional. Às 7.30 para Sintra, etc. O facto de ser dia de semana ou fim-de-semana é irrelevante.

Normalmente, quando me queixo da hora afirmam: «Gosto de ficar logo despachado. Assim posso aproveitar toda a manhã.» Ao que eu penso: «Aproveitar toda a manhã? Vou tomar banho e enfiar-me na cama outra vez. E a noite de ontem que foi desaproveitada?».

Como já devem ter reparado, eu sou um dorminhoco! Gosto de dormir até tarde, dormir a sesta, dormir antes do jantar, dormir à hora de almoço, no fundo, durmo sempre que posso! e em qualquer sítio: comboio, carro, banco do jardim, etc. Por isso, o acordar cedo é sempre penoso.

Se o acordar cedo é difícil de cumprir. O deitar cedo ainda é mais difícil. Principalmente, se na noite anterior estive com os meus amigos não madrugadores. São no fundo dois mundos "pouco" conciliáveis. Mas dos quais eu gosto de pertencer, por isso alinho em jantares que duram até quase às 2.00 sabendo que no outro dia tenho de me levantar às 5.45.

Hoje ter acordado cedo para já teve uma vantagem: tive tempo para partilhar este pensamento convosco.

* Segundo consta, pois eu nunca experiencie este facto.
** Dois bens cuja compra poderia ser, perfeitamente, adiada para as 11.00, se continuassemos a dormir, uma vez que não lemos o jornal, nem tomamos o pequeno almoço quando estamos a dormir.

sexta-feira, março 20

De volta aos post´s escritos

Finalmente sinto que estou de regresso.
Os últimos tempos têm sido conturbados. São daqueles momentos em que equacionamos se não deviamos ser diferentes. Talvez fazer o mesmo que a maioria faz: não nos preocuparmos, não assumirmos responsabilidades, deixar simplesmente a coisa correr, mesmo que ela não corra para lado nenhum. Infelizmente não sou assim. Acredito que seria mais fácil.
Frustrações à parte...
Já regressei às aulas. Depois de 2 meses de férias escolares, escolhi Arquitectura de Computadores e Algoritmos e Estruturas de Dados. Com 3 semanas de aulas apenas posso dizer o seguinte: «Estou f...».
No passado fds fui com a w. e o h. conhecer Madrid. Fiquei encantado. É muito diferente de Barcelona. Culturalmente e artisticamente menos rica, mas mais movimentada. Menos turística e mais cidade.
Adorei as cãnas e as tapas e pela 1ª vez comi bem em Espanha.

quarta-feira, março 4

terça-feira, fevereiro 10

«Andar aos Papéis»

Não sei qual é a origem desta expressão popular... mas gosto dela.
Embora faça uma interpretação mais "lata" do seu significado. Para mim "andar aos papéis" não significa andar "perdido", mas sim, "vestir" um papel.
Na vida assumimos determinamos papéis. Começamos com o papel de filho e terminamos com o papel de morto. Pelo caminho, vamos percorrendo e acumulando papéis: de amigo, de aluno, de namorado, de cliente, de empregado, de patrão, de pai, de avô, de doente, de atleta, de desconhecido, etc.
Este papéis surgem, normalmente, do acaso e nem sempre nos perguntam: «se os queremos desempenhar».
Podem aparecer quando não os desejamos e desaparecer quando nos habituámos a eles.
Toda a nossa vida é este intenso "andar aos papéis".
O que me custa não é "andar aos papeís", mas sentir-me desconfortável por ter de desempenhar alguns deles.
E quando isto acontece só existem 4 soluções:
- a radical: rasgar o papel;
- a conformista: aceitar o papel;
- a esperançosa: esperar que o vento do acaso leve esse papel;
- a enganadora: mudar a opinião que temos sobre esse papel.

Ainda não decidi qual a solução para alguns dos meus papéis e enquanto isso não acontecer ... vou continuar a optar pela ... "conformista".

quinta-feira, fevereiro 5

"Zé das pontas soltas"

Ontem sentia-me o "Zé engenhocas". Hoje sinto-me o "Zé das pontas soltas".
Passei o dia a resolver (ou pelo menos a tentar) "fechar pontas".
As "pontas" são aqueles pequenos apontamentos que escrevemos nos cantos das agendas e cadernos.
Aqueles que não têm direito a figurarem no centro de uma página.
Aqueles que não têm palavras sombreadas ou coloridas, nem são acompanhados de desenhos de sinais de perigo.
Aqueles que são envolvidos numa caixa para que fiquem isolados, para que não se misturem com os outros apontamentos: os importantes, críticos e urgentes.
Chamo-lhe apontamentos de "segunda". Eles, "povoam" os meus cadernos, as mensagens em rascunho do meu email, os restos de folhas rasgadas espalhadas pela minha secretária, os ficheiros perdidos e desorganizados no meu desktop, etc.
Tiveram o azar de não nascerem importantes. Em alguns casos até já foram importantes, mas foram sendo "cortados", reduzidos na importância, mitigados, ou simplesmente, foram resolvidos aproveitando a "boleia" de outros apontamentos importantes, mas como não eram importantes, não tiveram o seu momento de glória. Foram "ofuscados" por outros e nem tiveram direito de serem riscados da lista.

terça-feira, fevereiro 3

"Zé engenhocas"

Nunca fui muito "engenhocas". Acho que não é apenas uma questão de falta de "jeito", mas de paciência (ou falta dela) e muita descontracção.
Quando algo se estraga... normalmente fica uma eternidade à espera de arranjo.
Foi assim com o esquentador (quase 2 meses num acende/apaga ... coitada da brazuca).
É assim o forno que não funciona há mais de um ano.
O candeeiro de tecto do meu quarto, que já nem sei há quanto tempo se estragou. Apenas sei que se estragou no dia em que decidi verificar que ferramentas necessitava para mudar de candeeiro. Há mais de dois anos que andava para fazer isso...
A lâmpada do tecto da casa-de-banho. Esta também já não me lembro...o que vale é que vamos mudando as lâmpadas do espelho.
Mesmo as coisas que, diariamente, necessito... ficam a "aguardar" a vontade do dono...
Ontem voltei a ter carro. Esteve 3 semanas parado, com um problema de bateria, à espera de ir para o mecânico. Como o H. já estava farto de me ouvir dizer que tinha de ir tratar do carro, obrigou-me a ir comprar uma bateria e lá estivemos nós "armados em mecânicos" a mudar a bateria do carro... e funciona...
Até aproveitei para comprar um extintor para ter no carro (outro utênsilio que andava há anos para comprar). Como iamos montar uma bateria, achei que era "oportuno"(=prudente).
Quando cheguei a casa... ia tão entusiasmado com o sucesso que até arranjei a a maçaneta da porta da casa-de-banho (esta era recente, tinha poucas semanas).
Ainda espreitei para a caixa da campainha (esta avariou a semana passada) ... mas é necessário uma nova, pois aquela derreteu.
Com duas reparações no mesmo dia ... sinto que a minha vida está a mudar... lá para o final do ano já serei uma pessoa normal.